Retrospectiva Dadiva 21 de Março

Australiano com sangue raro já salvou milhões de bebés

James Harrison, um australiano de 74 anos com um tipo sanguíneo raro, já salvou a vida de 2,2 milhões de recém nascidos, incluindo o próprio neto.

Segundo o Globo.com, que cita o Sydney Morning Herald, o plasma sanguíneo de James Harrison tem sido utilizado na criação de uma vacina, ministrada às grávidas, para evitar que os seus filhos venham a sofrer da doença de Rhesus, que causa uma incompatibilidade entre o feto e a mãe. Uma doença que ocorre quando o sangue da mãe é Rh- e o do bebé Rh+, provocando a criação de anticorpos na mãe que atacam o sangue do bebé.

A vacina Anti-D previne a formação de anticorpos contra eritrócitos Rh-positivos em pessoas Rh-negativas, no entanto, o sangue de Harrison é capaz de combater essa situação, mesmo depois do nascimento da criança, prevenindo assim a doença.

Conforme explica o Globo.com, após as primeiras doações de sangue à cruz vermelha australiana, foi descoberta essa qualidade única do sangue de James Harrison, que passou a ser conhecido como "o homem do braço de ouro" e já salvou a vida a 2,2 milhões de recém nascidos australianos.

Harrison, que nunca tinha pensado em doar sangue, tornou-se voluntário para pesquisas e testes científicos que resultaram no desenvolvimento da vacina Anti-D que combate a doença de Rhesus, causa de morte e de danos cerebrais em milhares de recém nascidos na Austrália. Ao longo de mais de dez anos, James Harrison já fez 984 doações de sangue e estima-se que ainda chegue às mil doações ainda este ano. O seu sangue é considerado tão especial que recebeu um seguro de vida no valor de um milhão de dólares australianos, adianta o Globo.com.

ARTIGO ORIGINAL EM: DN GLOBO

VIH esconde-se na medula óssea

Investigadores norte-americanos detectaram o método que o vírus da SIDA usa para se esconder e permanecer indetectável, de modo a lançar posteriormente novos ataques.

Segundo um estudo, publicado na Nature Medicine, o VIH permanece latente na medula óssea das pessoas infectadas.

Quando as células imaturas do sangue se tornam adultas, a propagação do vírus é reactivada.

O trabalho pode explicar o porquê dos medicamentos actua contra o vírus apenas funcionam se forem tomados durante toda a vida − quando o tratamento é interrompido, o vírus retorna e expande-se novamente.

A descoberta pode fornecer uma nova maneira de conseguir o que ainda é impossível: erradicar a SIDA.

Kathleen Collins, investigadora principal

“Para curar esta doença temos que desenvolver estratégias específicas contra as células infectadas em estado latente”, explica Kathleen Collins, da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

A investigadora, que dirigiu a investigação, identificou o ‘esconderijo' do HIV em células isoladas de amostras de medula óssea de pessoas infectadas.

Collins e a sua equipa encontraram VIH latente em células progenitoras hematopoéticas (HPC, em inglês).

Transplante de medula cura seropositivo

Um norte-americano de 42 anos residente em Berlim que sofria tanto de leucemia como de SIDA foi sujeito a um transplante de medula óssea. O médico, Gero Wutter, hematologista da Universidade Médica de Berlim, seleccionou um dador com uma mutação genética rara praticamente imune ao VIH.

O transplante de medula foi um sucesso e, passados dois anos, sem voltar a tomar os medicamentos anti-retrovirais, o paciente norte-americano é considerado um caso curado do vírus da SIDA.

Este caso foi notícia pelo mundo inteiro há dois anos e despertou a curiosidade dos cientistas para um caso que consideraram improvável.

Tratam-se de células indiferenciadas que gerem todas as variedades que compõem o sangue e o sistema imunológico: o principal objectivo deste vírus.

Estudos anteriores tinham mostrado que um tipo de linfócitos T, uma das células do sistema imunológico, actua como reserva do vírus. No entanto, investigações posteriores demonstravam que isto não poderia explicar por si só o mistério do reaparecimento do VIH.

Vírus indetectável

Os investigadores infectaram as células HPC com o vírus. Algumas morriam mas outras o VIH permanecia latente e indetectável com os medicamentos actuais.

Quando trataram estas células com citocinas (proteínas que as fazem desenvolver-se e converter-se em células maduras), o vírus ficou activo e a sua carga infecciosa multiplicou-se até 12 vezes.

A equipa analisou ainda as HPC extraídas de 15 infectados por VIH. O vírus apareceu nas amostras de seis pacientes que tinham a maior carga viral, mas também em quatro que há seis meses não tinham níveis detectáveis.

“Estas células poderiam manter-se vivas e conservar o VIH latente por um período extenso de tempo”, conclui o estudo.

Agora há que demonstrar se a reserva actua do mesmo modo em outros pacientes que tomam antivirais e determinar que quantidade de vírus emana dela.

Também será necessário elucidar se a medula óssea é o último ‘esconderijo’ do VIH ou se existem outros recantos onde este se possa esconder.

Artigo original em: Ciência Hoje

Bebé de oito meses luta contra leucemia

Familiares e amigos de uma bebé de oito meses, a quem foi diagnosticada leucemia, lançam um apelo para encontrar um dador de medula óssea compatível, noticia o Correio da Manhã.

Para poder "continuar a viver" a menina, residente no concelho de Condeixa-a-Nova, necessita de um transplante. "É a sua única hipótese", refere Ana Bernardes, amiga da família e dinamizadora da campanha, surpreendida com a quantidade de pessoas que já responderam.

Sofia Domingues Fonseca aparentava ser uma menina saudável até que, de repente, tudo mudou com a descoberta da doença, há dois meses. Sofia tem leucemia mielóide crónica, uma doença rara em crianças.

O drama dos pais, Margarida Domingues e Francisco Fonseca, de 36 anos, começou nesse momento. "A bebé tem de fazer quimioterapia todos os dias. A mãe, que trabalhava, está em casa com ela e só sai duas vezes por semana para a levar ao hospital. É um sofrimento enorme para todos", descreve Ana Bernardes.

Procura de dadores

Segundo a amiga da família, a menina só poderá ser transplantada quando tiver um ano, mas a campanha para encontrar um dador compatível já está em marcha. Quem quiser ajudar a Sofia deve contactar o Centro de Histocompatibilidade nos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Afonso Couto tem seis anos e há cinco meses foi-lhe diagnosticado uma leucemia linfoblástica aguda. A família da criança, que ainda não encontrou dador, continua a realizar diversas campanhas de recolha.

Teresa Brissos, de 17 anos, natural de Beja, aguarda há dois anos por um dador de medula óssea. Para fazer frente à doença, todas as semanas é observada no Instituto Português de Oncologia de Lisboa.

Quem pode ajudar e onde

Ter entre 18 e 45 anos, pesar mais de cinquenta quilos, nunca ter recebido uma transfusão de sangue, não sofrer de doenças crónicas e não estar já inscrito na base de dados: são estas condições exigidas para quem quiser ser dador de medula óssea.

Se cumprir estes requisitos, apenas tem de se dirigir aos centros de histocompatibilidade existentes em Lisboa (telefone: 217 504 100), no Porto (telefone: 225 573 470) e em Coimbra (telefone: 239 480 700/719).

Notícia  em:  Portal de Oncologia
2010-03-10
10:29
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