Boletins Clínicos - Rinite

Rinite

Processo inflamatório nas fossas nasais, com evolução aguda ou crónica. A rinite aguda pode ser causada por agentes infecciosos virulentos, por factores reumatizantes, por agentes físicos ou químicos irritantes, por agentes alérgicos.

A forma aguda catarral, vulgarmente chamada de constipação, é induzida, pelo menos inicialmente, por um vírus a que se seguem os outros germes (estafilococo, pneumococo, diplococo, Micrococo catarralis, Haemophilus influenzae, etc...) constituintes da flora bacteriana normal das fossas nasais em activa multiplicação.

A reacção inflamatória caracteriza-se por hiperemia e edema da submucosa com hipersecreção das glândulas mucíparas, A mucosa nasal aparece tumefacta e facilmente recoberta por secreção mucopurulenta. A afecção surge com mal-estar, cefaleia, lacrimação, secura e prurido rinofaríngeo, voz nasal, obstrução nasal que se acentua de noite, hipoacusia e anosmia. Pouco depois aparece secreção nasal serosa abundante, que depois se mucopurulenta e purulenta. A evolução dura cerca de 6/8 dias e a terapêutica consiste na aplicação de pomadas, instilações ou pulverizações de preparados de mentol, pinhol, eucaliptol com junção de adrenalina, e efedrina descongestionante. A isto pode acrescentar-se aplicações aerossólicas antibiótico-balsâmicas e fumigações.

No caso dessa forma de rinite não ser primitiva, mas secundária a uma doença geral, ministrar-se-ão, de acordo com os casos, salicilatos, sulfonamidas ou antibióticos. Nos lactentes pode assumir uma gravidade particular, já que estes não são capazes de respirar pela boca e, por conseguinte, se falta a respiração nasal, encontram-se em sérias dificuldades, especialmente para a alimentação mamária. A sintomatologia mais severa (irrequietação, respiração ruidosa, roncante, crises dispneicas, perturbações do crescimento, hematose) impõe, além do tratamento habitual, o uso de aspiradores e de porta-tampões, para procurar manter viáveis as fossas nasais, e instilações de neomicina.

Ao lado da forma catarral encontra-se facilmente a rinite pseudomenbranosa, diferenciável numa forma diftérica e numa outra pseudodiftérica. A primeira é devida à localização nas cavidades nasais do bacilo de Louffler. Encontra-se na maioria dos casos nos lactentes e nas crianças e pode surgir primitiva ou secundariamente a uma angina diftérica. A evolução é bastante atenuada e insidiosa: têm-se os sintomas da rinite banal, com falsas membranas acinzentadas mais ou menos extensas. O descolamento, mediante tampões, dessas membranas faz sangrar a mucosa e acompanha-se de abundante saída de muco e de pus sanguinolentos, de abrasões turvas e crostosas no filtro nasal e nos contorno das narinas, de adenopatia submaxilar. Do nariz, se não for tratada, a infecção estende-se à faringe e induz uma sintomatologia bem mais grave e graves complicações renais ou nervosas. Esta forma de rinite pode dar origem a diversas variedades clínicas, eventualmente sub-reptícias, capazes de requerer exames laboratoriais precisos. O tratamento, uma vez formulado o diagnóstico, consiste numa enérgica seroterapia, em tratamentos antibióticos, cardiotónicos e neurotónicos.

A rinite pseudodiftérica, induzida, por seu lado, pelos vulgares piogénios, determina exsudados serofibrinosos e pseudomembranosos, podendo surgir primitiva ou secundariamente a intervenções endonasais. Tem uma sintomatologia bastante vizinha da forma diftérica e utilizam-se instilações anti-sépticas de argirol ou protargol. O sarampo, a escarlatina, a varicela, o tifo, a gripe são as doenças infecciosas que com mais frequência induzem rinites agudas sintomáticas, as quais encontrarão resolução, através das instilações nasais, e de uma terapêutica geral apropriada da afecção dominante.

De casos repetidos de rinite, ou de rinofaringites agudas ou no prosseguimento de contínuas irritações da mucosa nasal por acção de poeiras, fumos, etc..., surge a rinite crónica simples. É caracterizada pelo aumento da secreção nasal mucosa ou mucopurulenta, por uma obstrução nasal, presente ora numa fossa ora noutra e, eventualmente, por perturbações olfativas.

Como sucede nas perturbações agudas, a infecção poderá difundir-se para o ouvido médio, para as cavidades paranasais ou para as vias respiratórias superiores e inferiores. Procurar-se-à eliminar as suas causas corrigindo os eventuais defeitos anatómicos do nariz, removendo as condições predisponentes possivelmente presentes no local e fazendo uso de adstringentes, de óleos balsâmicos e de inalações.

Em casos em que a rinite crónica não é debelada, assistir-se-á à sua posterior evolução, que poderá atingir a rinite crónica hipertrófica ou a rinite crónica atrófica.

Conhecem-se três tipos de rinite crónica hipertrófica: difusa, papilar e polipóide. Esta forma encontra na estenose nasal o seu sintoma dominante e permanente, apresenta com facilidade complicações faríngicas, laringíticas, amigdalíticas, otíticas e necessita de uma terapêutica galvanocáustica e muitas vezes da descortização e redução dos cornetos.

A rinite crónica atrófica surge preferencialmente em indivíduos linfáticos, em sinusíticos crónicos ou em pessoas com com hereditariedade tuberculosa positiva. Os pacientes acusam sensação de secura do nariz, ardores rinofaríngeos e perturbações olfactivas. A terapêutica, neste caso, procurará parar o processo esclerótico da mucosa mediante toques com solução glicérica iodo-iodurato e instilações de óleo gomenolado. São recomendáveis as curas termais com água salso-bromo-iódicas e as estadias perto do mar.

 
in Nova Enciclopédia Médica Publicit

Artigo em: O Portal Saúde


Boletim da Dádiva - Janeiro 2011

Simples análise ao sangue pode vir a diagnosticar cancro

Análise ao sangue pode vir a identificar rápida e eficientemente presença de células tumorais no organismo. A tecnologia está a ser desenvolvida nos EUA e os cientistas esperam estar no mercado em cinco anos.
Investigadores do Massachusetts General Hospital (MGH) e da Veridex, uma empresa do grupo Johnson & Johnson, anunciam uma nova tecnologia de identificação da presença de cancro no organismo através de uma simples análise sanguínea.

Em conjunto o Hospital e a Veridex estabeleceram já um Centro de Investigação que tem a missão de desenvolver esta tecnologia o mais rapidamente possível para que se possa tornar num teste comercializável, fácil de utilizar e com altas taxas de eficiência na identificação do cancro.

Ainda em estado de protótipo, os cientistas adiantam que o objectivo é desenvolver uma tecnologia que permita capturar e caracterizar Células Tumorais em Circulação (CTCs), que se encontram em níveis extremamente baixos na corrente sanguínea, de forma a disponibilizarem um teste não invasivo para a caracterização do cancro em estado precoce.

Os investigadores do Massachusetts General Hospital já desenvolveram um chip microfluídico capaz de capturar as células tumorais em circulação com um alto nível de eficiência. Mas agora, ao estabelecerem esta parceria com a Veridex, os especialistas pretendem desenvolver uma plataforma com maior sensibilidade e que possa ser adaptada a uma série de aplicações, por forma a que o teste possa ter uma utilização generalizada no diagnóstico rápido do cancro.

«Este acordo é muito diferente dos acordos académico-industriais comuns porque vamos trabalhar em conjunto para transferir a tecnologia inventada no Massachusetts General Hospital do seu actual estado precoce para um protótipo e generalizá-lo por forma a atingir os nossos objectivos de aprovação por parte da FDA e adopção clínica», explica Mehmet Toner, Director do MGH BioMEMS Resource Center, citado em comunicado do Hospital.

O especialista acrescenta que «a nova equipa de inovação vai dedicar-se a desenvolver esta tecnologia a partir dos seus princípios científicos básicos até à fase inicial do protótipo no âmbito dos ambientes de investigação biológica e clínica». Por outro lado, «a Veridex tem os conhecimentos necessários para transferir tecnologia em estado inicial para um produto que possa ser fabricado e corresponder às exigências regulatórias».

Apesar desta ser uma tecnologia que poderá vir a facilitar o diagnóstico precoce de cancro através de uma simples análise sanguínea, os cientistas indicam que poderá ter uma série de outras aplicações, como por exemplo, confirmar se um determinado regime terapêutico de quimioterapia e radioterapia, que está a ser aplicado a um doente com cancro, está ou não a ser eficiente.

«Aplicar dados obtidos a partir das CTCs aos cuidados prestados a pacientes com cancro é um problema complexo e a nossa estratégia é diversificar as abordagens tecnológicas para encontrar as melhores soluções para aplicações específicas», afirma Mehmet Toner.

Para isso, o especialista adianta que «temos de definir que diferentes tecnologias funcionam melhor para o diagnóstico, para o prognóstico e o objectivo de longo prazo da detecção precoce. Portanto, não nos queremos confinar a uma única opção».

Os cientistas referem que a tecnologia será agora desenvolvida numa base experimental, começando este ano no Massachusetts General, no Sloan-Kettering, em Nova Iorque, na University of Texas M.D. Anderson Cancer Center, em Houston e no Dana-Farber Cancer Institute, em Boston. No entanto, acreditam que o teste demorará pelo menos cinco anos até que chegue ao mercado.

Artigo em: Tvciência.pt

Colheita de Sangue:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...