Variação em proteína pode provocar a imunidade natural ao HIV

Estudo do Instituto Ragon publicado na «Science»

2010-11-05

Modelo da molécula HLA-BUma pequena proteína poderá ser a chave dos casos raros de imunidade natural ao vírus da sida, permitindo às pessoas que a tenham combater a infecção sem tratamento. Este estudo, levado a cabo pelo Instituto Ragon (parceria entre o Massachusetts General Hospital, o MIT e a Universidade de Harvard), de Boston (EUA), está agora publicado na revista «Science».

Os cientistas descobriram que variações em cinco aminoácidos ácidos numa proteína chamada HLA-B estavam ligadas à imunidade natural ao HIV. “Entre os três mil milhões de nucléotidos – componentes elementares do ADN – que se encontram no genoma humano, apenas um punhado faz a diferença entre as pessoas que podem ficar de boa saúde sem tratamento, apesar de uma infecção com o HIV”, afirmou Bruce Walker, co-autor do estudo e director do Instituto Ragon.

Para identificar as diferenças genéticas que poderão conferir a imunidade rara, a equipa internacional de investigadores recrutou 3500 pessoas em diferentes clínicas do mundo, das quais 2500 sofriam de uma infecção progressiva do vírus da sida.

Recorrendo ao vasto estudo comparativo dos genomas, que testa as variações genéticas em um milhão de pontos do genoma humano, os cientistas identificaram aproximadamente 300 sítios estatisticamente ligados ao controlo imunitário do HIV. Estes sítios estão todos na região do cromossoma 6, que codifica as proteínas HLA.

Sem recorrer à sequência completa desta região do genoma, os autores do estudo desenvolveram uma técnica que permitiu isolar os aminoácidos ácidos, que têm um papel-chave no controlo viral.

Artigo: The Major Genetic Determinants of HIV-1 Control Affect HLA Class I Peptide Presentation

Artigo original em CiênciaHoje

Investigadores transformam pele em células sanguíneas

Estudo diz antever um futuro em que bancos de sangue não sejam precisos

2010-11-08

Mick BathiaInvestigadores especializados em células estaminais descobriram um novo método de fabricar sangue a partir de pele humana, que pode ser aplicado no tratamento de cancros, revela um estudo canadiano publicado, recentemente, na revista «Nature». Este método consegue transformar células sanguíneas com o mesmo perfil genético sem precisar de usar células estaminais embrionárias, indica a investigação.

O facto de não recorrer a processos complexos e eticamente controversos permite uma utilização mais simples, segundo os investigadores responsáveis pela descoberta. "Pensamos que no futuro poderemos criar sangue de uma maneira bem mais eficaz", frisou Mick Bathia, autor do estudo e investigador do Instituto McMaster da Escola de Medicina Michael G. DeGroote, em Hamilton, na província de Ontário.

Bathia revela que será possível congelar e armazenar diferentes tipos de sangue. Segundo a previsão desta equipa de investigadores, esta técnica poderá estar pronta para ser testada em seres humanos dentro de dois anos e levanta a possibilidade de personalizar a produção de sangue para cada paciente, pela primeira vez.

A perspectiva de fazer uma transfusão num paciente com sangue proveniente da sua própria pele deixa antever um futuro em que já não seja preciso recorrer a bancos de sangue. Em relação à utilização de células embrionárias, este método tem ainda a vantagem de não apresentar tanto risco de desenvolvimento de tumores.

O procedimento consiste em retirar um pedacinho de pele (alguns centímetros apenas) – o que irá exigir um ponto no máximo para fechar –, extraindo fibroblastos (células abundantes que compõe o tecido conjuntivo e dão flexibilidade a pele) que são posteriormente submergidos em factores de crescimento.

A seguir, adicionando uma única proteína que liga o DNA que actua como um interruptor (liga/desliga), os cientistas ligaram e desligaram aproximadamente dois mil genes e reprogramaram as células da pele para as diferenciar ou estruturar em um milhão de ‘progenitores’ – células que produzem o sangue.

Todos os tipos de cancro


Pacientes que mais podem beneficiar são os que sofrem de leucemiaGeraram múltiplos tipos sangue diferentes, glóbulos vermelhos que transportam oxigénio, glóbulos brancos que lutam contra infecções, células que criam plaquetas necessárias, e macrófagos, células de grandes dimensões do tecido conjuntivo, que destroem elementos estranhos ao corpo. O trabalho foi repetido várias vezes, durante mais de dois anos, usando a pele de adultos e neonatal, para demonstrar que pode funcionar para qualquer idade.

Os pacientes que mais podem beneficiar são aqueles que sofrem de leucemia, cujo sangue sofre mudanças genéticas (tornando-se canceroso) e que frequentemente necessitam de transplante de medula óssea, ou ainda outros com linfomas, tal como a doença do Hodgkin.

O procedimento não será limitado a leucemias, explicou também Bhatia. Doses pesadas de quimioterapia para tumores sólidos, tal como cancros da mama, do pulmão ou próstata, não destrói unicamente as células de cancro, mas “também interfere com o sistema sanguíneo”. “Se existir uma fonte alternativa de sangue, adicional à quimioterapia, esta pode até ser realizada em doses mais elevadas e aumentando a possibilidade de aniquilar o tumor, permanentemente”, sustentou igualmente o autor do estudo.

A perspectiva de fazer uma transfusão num paciente com sangue proveniente da sua própria pele deixa antever um futuro em que já não seja preciso recorrer a bancos de sangue. Em relação à utilização de células embrionárias, este método tem ainda a vantagem de não apresentar tanto risco de desenvolvimento de tumores. Contudo, o Instituto Nacional de Sangue Canadiano alerta que ainda não existe um substituto para o sangue humano e que os dadores continuam a ser precisos, tanto quanto antes.

Artigo original em CiênciaHoje

Boletim Infodigital Novembro 2010

Divulgação:

A Semente de Mostarda: O meu primeiro email....: "Caros amigos, Venho informar que estou num projecto (meu) de recolha de bens para Moçambique, mais concretamente uma localidade a 1 800Km d..."
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