Aumento «exponencial» de transplantes de medula deve-se a campanhas para angariar dadores
A campanha, que se realizou entre Setembro e Novembro do ano passado em Leiria, por iniciativa de quatro empresas do Grupo Lena, a que se associaram 31 entidades e dezenas de voluntários, permitiu o registo de mais 2.600 dadores e a entrega à Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) de 5.384 euros.
«Em nome da APCL quero expressar a nossa profunda gratidão», disse Duarte Lima, anotando que «não é importante aqui o dinheiro», mas «o exemplo que serve como espelho, que se replica para o resto do País».
Duarte Lima referiu que «cerca de 50 por cento das leucemias acabam por ser tratadas com um transplante de medula óssea», sublinhando que este processo «é uma forma de dar vida».
«Destes 2.600 dadores vão resultar vidas que vão ser salvas», destacou o vogal da associação, explicando que há alguns anos «doente que não tivesse um irmão e que necessitasse de um transplante tinha que recorrer a registos de dadores estrangeiros».
Agora, Portugal «ocupa hoje um lugar cimeiro em termos europeus e em termos mundiais ao nível do registo», que conta com cerca de 13 milhões de potenciais dadores, declarou Duarte Lima, sublinhando que, com campanhas como «Solidários até à medula», se revela, também, a solidariedade.
«Espero que este exemplo frutifique na sociedade portuguesa», manifestou ainda o responsável da APCL.
Já o administrador do Grupo Lena, Carlos Conceição, afirmou que a campanha tinha por objectivo atingir mil potenciais dadores de medula óssea, número que foi ultrapassado, situação que atribui à «rede de apoios» conseguida.
IPS assina protocolo com empresas de seguros e pensões, recolhas de sangue em todo o país
No entanto, as empresas de seguros e as sociedades gestoras de fundos de pensões vão também planear as suas doações, determinando as logísticas, em coordenação com o IPS, podendo também ser utilizados os diversos centros de recolha de sangue.
«Trata-se do maior movimento de solidariedade nacional», disse Gabriel Olim, presidente do IPS, afirmando o objectivo de despertar as populações para a importância de dar sangue.
«Temos de ter noção de que as pessoas morrem por não terem sangue», alertou. «Se, num hospital, um doente precisar de 51 unidades de sangue e só dispuser de 50, o doente acaba por morrer», acrescentou.
Segundo o responsável, o IPS tem, neste momento, 600 mil dadores inscritos «e não tem sido necessário alertá-los para darem sangue, porque os portugueses, nesse aspecto, são muito solidários».
Esta campanha de doação de sangue está direccionada para o sector segurador e de fundos de pensões, que conta com mais de onze mil colaboradores directos, e procurará ainda envolver a rede de mediação, que conta com 27 mil profissionais.
O IPS é um organismo integrado na administração indirecta do Estado, que regula, a nível nacional, a actividade da medicina transfusional e garante a disponibilidade e acessibilidade de sangue e componentes sanguíneos.
Em 2008, 62 por cento do sangue recolhido no IPS foi direccionado para 73 hospitais públicos e 20 por cento para 24 hospitais privados, sempre de forma gratuita.
Das 310.436 inscrições de dadores no IPS, foram feitas 225.346 colheitas e preparadas 216.171 unidades de sangue.
Ainda em 2008, o IPS garantiu 39 dadores de sangue por cada mil habitantes, um resultado «bastante positivo», segundo Gabriel Olim, já que o ideal é que haja 40 dadores por cada mil habitantes.

Arrancou esta semana em Portugal um projecto pioneiro de solidariedade. A água embalada Earth Water é o único produto no mundo com o selo do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), revertendo os seus lucros a favor do programa de ajuda de água daquela instituição.
Ao nível nacional, a Earth Water é um projecto que conta com a colaboração da Tetra Pak, do Continente, da Central Cervejas e Bebidas, da MSTF Partners, do Grupo GCI e da Fundação Luís Figo.
Com o preço de venda ao público (PVP) de 59 cêntimos, a embalagem de Earth Water diz no rótulo que «oferece 100% dos seus lucros mundiais ao programa de ajuda de água da ACNUR», apresentando, mais abaixo, o slogan «A água que vale água».
Actualmente morrem 6 mil pessoas no mundo por dia por falta de água potável. Com 4 cêntimos, o ACNUR consegue fornecer água a um refugiado por um dia.