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Boletim da Dádiva de 22 de Setembro

Israelitas poderão detectar cancro através do hálito

Uma equipa internacional está desenvolver um teste rápido, semelhante ao de alcoolemia, para detectar a presença de tumores. Apesar de ainda estar em fase experimental, os resultados são promissores e já evocados por investigadores do Instituto Tecnológico Technion, de Israel.

O novo diagnóstico pode permitir detectar cancro de pulmão, mama, intestino ou próstata, segundo o estudo publicado ontem pela revista britânica «The British Journal of Cancer».

Os testes foram realizados em 177 voluntários, entre os 20 e 75 anos, afectados ou não por diferentes tipos de tumores cancerígenos e mostraram que a análise do hálito pode reagir a compostos químicos que as células cancerosas emitem e estabelecem, independentemente da idade dos pacientes, sexo ou do tipo de vida (fumadores, por exemplo) – características que poderiam modificar a química da boca, mas não revelou impacto nos resultados.

O estudo mostra que uma espécie de 'nariz electrónico' pode distinguir pela respiração se o paciente é saudável ou tem um tumor maligno. O processo é rápido, não-doloroso e de baixo custo. O artigo refere que a análise do hálito para detectar tumores assenta no seguinte pressuposto: quando um tumor cresce, a superfície das células cancerígenas liberta compostos orgânicos específicos e voláteis que podem ser encontrados através do sopro.

Os investigadores, equipa liderada por Abraham Kuten, do instituto situado em Haifa (Norte de Israel), descobriram detectores capazes de identificar químicos, compreendendo nanopartículas de ouro. Para além da detecção ainda conseguem determinar de que tipo se trata – colo-rectal, da mama, próstata ou pulmões.

Caso os resultados confirmem estudos clínicos de maior envergadura, a nova tecnologia poderá ser o mais recente instrumento de detecção precoce, em detrimento de outros métodos tradicionais mais desconfortáveis, caros e longos – já que muitas vezes é necessário esperar dias ou semanas por um diagnóstico. Quanto mais rapidamente for um determinado tumor detectado, mais probabilidade existirá de cura e este poderá dar resposta em menos de uma hora. Permitirá também saber se há recaídas e a eficácia de tratamentos. Contudo, ainda se trata apenas de uma experiência em estudo e para chegar à sua comercialização ainda terão de ser realizados mais testes e de ter carta branca das autoridades de saúde.

Artigo original em : CiênciaHoje

Possível propagação de bactéria multirresistente a antibióticos

Uma equipa de cientistas britânicos descobriu uma bactéria resistente à maioria dos antibióticos, comum na Índia, e alerta para o facto de corrermos o risco de que esta se espalhe rapidamente pelo mundo.

O gene multirresistente foi detectado em 37 pessoas, em hospitais do Reino Unido.

Estas tinham-se anteriormente deslocado à Índia e Paquistão para realizar uma intervenção cirúrgica. Os médicos relataram a descoberta num artigo publicado na última edição da revista «The Lancet Infectious Diseases».

O gene NDM-1 altera as bactérias e torna-as resistentes aos antibióticos mais conhecidos, podendo tornar-se num problema global de saúde pública. Os autores do artigo referem que “o NDM-1 tem um grande potencial para se tornar num problema global de saúde pública – criando infecções impossíveis de tratar – e, portanto, exige uma fiscalização coordenada internacional”.

Timothy R. Walsh, um dos autores da Universidade de Cardiff, avançou que, na tentativa de combater a infecção, esgotaram quase todos os antibióticos – sendo que apenas dois poderiam combater esta bactéria e um deles não é muito eficaz. “Não irão existir novos antibióticos disponíveis em dez anos e se permitirmos que estas infecções subsistam sem tratamento adequado, iremos presenciar provavelmente algumas mortes”, avisou. As enterobacteriaceae são bactérias que podem causar infecções do aparelho gastrointestinal e de outros órgãos do corpo e produzem uma enzima do tipo NDM-1.

Foi verificada principalmente na bactéria E. coli, a causa mais comum de infecções do trato urinário, e em estruturas de DNA facilmente reproduzíveis e transferíveis a outras bactérias. O gene resistente foi agora detectado na Austrália, Canadá, Holanda, Suécia e Estados Unidos – uma vez que muitos norte-americanos e europeus vão à Índia e ao Paquistão para se submeter a cirurgias plásticas e outros tratamentos electivos.

O NDM-1 é aparentemente comum na Índia, onde o sistema de saúde tem menos possibilidades para identificar sua presença ou possuir antibióticos adequados para o tratamento. Até ao momento, em Portugal, não existe registos de ter sido identificada qualquer bactéria com este mecanismo.

Artigo original em: CiênciaHoje
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